O setor brasileiro de papel e celulose voltou ao radar do mercado nos últimos meses, e a Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto e uma das principais empregadoras da cidade que leva o mesmo nome no Alto Tietê, está no centro dessa movimentação. A companhia, com sede administrativa em São Paulo e uma de suas oito unidades industriais localizada justamente no município de Suzano, vem repassando integralmente os reajustes de preços da celulose tanto para o mercado asiático quanto para os mercados ocidentais.
Segundo dados apurados em análises de mercado, a demanda por papel na China cresceu 27% na comparação anual no início de 2026, sem que houvesse aumento relevante de estoques na região, o que sustenta uma perspectiva positiva para a companhia. Em um dos pregões mais expressivos do período recente, as ações da Suzano chegaram a registrar alta de mais de 11%, configurando um dos movimentos mais fortes desde 2024. CNN Brasil
Resultados oscilam entre trimestres, mas fundamentos seguem firmes
O desempenho da companhia, no entanto, não foi uniforme ao longo do ano. No primeiro trimestre de 2026, a Suzano registrou receita líquida de R$ 10,9 bilhões, uma queda de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo principalmente da valorização do real frente ao dólar, que pressionou as exportadoras do setor. Portal Celulose
Apesar da retração pontual, a companhia manteve disciplina operacional. A meta de custo caixa de produção de celulose foi mantida em torno de R$ 800 por tonelada para 2026, mesmo em um cenário de monitoramento de custos com petróleo e fretes internacionais. Analistas do setor financeiro têm reforçado recomendações de compra para os papéis da empresa, apontando a relação entre risco e retorno como uma das mais favoráveis do segmento. Portal Celulose
Origem ligada à cidade de Suzano e expansão global
A trajetória da companhia está diretamente conectada à história do município paulista. A empresa nasceu em 1924, fundada por Leon Feffer como uma firma de comércio de papéis, e ao longo das décadas se expandiu até se tornar, após a incorporação da Fibria em 2019, a maior produtora mundial de celulose de eucalipto, presente em mais de 80 países.
Atualmente, a Suzano também investe em inovação tecnológica aplicada à produção, com uso de Internet das Coisas para tornar os processos industriais mais eficientes, além de manter um fundo de investimento voltado a startups com soluções sustentáveis baseadas em florestas plantadas. A combinação entre tradição industrial e inovação ajuda a explicar por que a empresa continua sendo uma referência não apenas para o município de Suzano, mas para todo o setor de base florestal do Brasil.
Para o segundo semestre de 2026, a expectativa do mercado é de aquecimento na demanda, período tradicionalmente mais forte para o segmento de papel e celulose, o que pode favorecer uma recuperação mais consistente nos resultados da companhia.
Fontes consultadas:
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/mercado/acao-da-suzano-dispara-apos-resultado-forte-e-perspectiva-positiva/
- https://portalcelulose.com.br/setor-de-papel-e-celulose-mantem-resiliencia-operacional-mas-cambio-pressiona-resultados-no-inicio-de-2026/
- https://www.infomoney.com.br/mercados/suzano-salta-8-e-klabin-tem-alta-mais-modesta-apos-4t-como-mercado-viu-balancos/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez