Segundo o doutor Yuri Silva Portela, a expectativa de vida no Brasil cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, e com ela surgiu uma reflexão que vai muito além dos números. Acrescentar anos à vida deixou de ser o único objetivo da medicina voltada à maturidade. O que está em jogo agora é a qualidade desses anos. Ao longo deste texto, será possível compreender por que o envelhecimento exige um olhar próprio, como a geriatria moderna se diferencia das demais especialidades e de que maneira esse cuidado pode transformar o cotidiano de quem ultrapassa os 60 anos.
Vale a pena seguir na leitura para enxergar a velhice sob uma perspectiva mais ampla e otimista.
Por que envelhecer pede um olhar diferente?
O corpo que envelhece não é simplesmente uma versão mais frágil do corpo jovem. Ele funciona segundo uma lógica própria, na qual doenças se manifestam de maneiras atípicas, medicamentos interagem de forma mais complexa e sintomas aparentemente banais podem esconder questões relevantes. Uma confusão mental repentina, por exemplo, raramente é apenas esquecimento. Pode sinalizar uma infecção, um efeito colateral ou uma desidratação que passou despercebida.
De acordo com Yuri Silva Portela, é justamente essa singularidade que justifica a existência da geriatria como especialidade. Em vez de tratar cada queixa isoladamente, o geriatra observa o conjunto. Avalia como a pressão alta conversa com o rim, como o remédio para dormir afeta o equilíbrio, como o humor influencia o apetite. Dentre esse panorama, esse raciocínio integrado evita que a pessoa idosa seja fragmentada em diagnósticos desconexos, tratados por especialistas que muitas vezes não dialogam entre si.
O que diferencia a geriatria das outras especialidades?
Enquanto boa parte da medicina se organiza por órgãos ou sistemas, a geriatria se organiza pela pessoa. O foco está na funcionalidade, ou seja, na capacidade real de realizar as tarefas do dia a dia com autonomia. Caminhar até a padaria, tomar banho sozinho, administrar as próprias finanças e manter relações sociais ativas valem tanto quanto qualquer exame laboratorial.

Essa abordagem muda a definição de sucesso no tratamento. Como pontua o doutor Yuri Silva Portela, não basta normalizar um índice no papel se a pessoa segue insegura para sair de casa. A geriatria moderna entende que preservar a independência é preservar a dignidade. Por isso, equilibra a necessidade de tratar doenças com o cuidado de não medicar em excesso, evitando que o remédio se torne, ele próprio, uma fonte de adoecimento.
Como a geriatria contribui para um envelhecimento com mais qualidade de vida?
A geriatria moderna não se limita ao tratamento de doenças já instaladas, informa Yuri Silva Portela. Seu papel também envolve identificar riscos futuros e adotar estratégias que permitam à pessoa envelhecer de forma mais saudável. Questões como perda de massa muscular, alterações cognitivas, fragilidade física e dificuldades de mobilidade podem ser monitoradas precocemente, aumentando as chances de intervenções eficazes antes que comprometam a qualidade de vida.
Outro aspecto importante, conforme Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, é a valorização da prevenção. O acompanhamento geriátrico estimula hábitos que favorecem o bem-estar a longo prazo, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, vacinação atualizada, sono de qualidade e participação social. Essas medidas contribuem não apenas para reduzir o risco de doenças, mas também para fortalecer a autonomia e a capacidade funcional ao longo dos anos.
Convém lembrar e destacar que a geriatria reconhece que saúde não depende exclusivamente de fatores biológicos. Aspectos emocionais, familiares e sociais exercem influência direta sobre o envelhecimento. Por isso, o cuidado especializado considera o indivíduo em sua totalidade, promovendo uma abordagem que busca preservar não apenas a longevidade, mas também a satisfação, o propósito e a qualidade de vida em cada etapa da maturidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez